O debate deixou de girar em torno de intenções e passou a se orientar por cronogramas, metas contratuais e avanços reais
Sessenta anos de uma companhia de saneamento representam uma longa trajetória de responsabilidade pública. Nesse período, a Corsan tornou-se parte da evolução das cidades gaúchas, levando água tratada a milhões de pessoas e sustentando uma infraestrutura essencial à saúde, ao funcionamento das rotinas urbanas e à vida dos ecossistemas.
Essa história também revela um dado incontornável. O saneamento brasileiro acumulou um déficit estrutural relevante. Investimentos insuficientes, expansão urbana desordenada e baixa cobertura de esgotamento sanitário deixaram um passivo social, ambiental e econômico presente em muitos territórios, um atraso que só pode ser revertido com escala, planejamento e decisões técnicas de impacto duradouro.
Enfrentar o cenário atual exige maturidade institucional. É lidar com sistemas complexos, decisões de longo prazo e investimentos capazes de mudar realidades. É transformar lacunas socioeconômicas em obras concretas, sob pressão de eventos climáticos e exigências regulatórias. Com a transição para a nova gestão, trouxemos mais investimentos, tecnologia e métodos. O debate deixou de girar em torno de intenções e passou a se orientar por cronogramas, metas contratuais e avanços reais.
“Instituições amadurecem quando são orientadas por metas claras”
A Corsan chega aos 60 anos em um momento de transformação do setor, marcado pelo Marco Legal do Saneamento, que redefine as regras para a expansão da infraestrutura sanitária no país. A partir desse cenário, o desafio deixa de ser planejar e passa a ser executar, com rapidez e consistência, um dos maiores projetos de ampliação de serviços públicos da história recente.
Tenho a responsabilidade de liderar essa transformação em um momento decisivo da Corsan. Esse processo é um sinal de que instituições amadurecem quando são orientadas por metas claras, integridade e diversidade de perspectivas. Cabe a nós enfrentar um dos maiores desafios de infraestrutura do nosso tempo e transformar essa oportunidade em um ciclo capaz de universalizar o saneamento no RS.
Por Samanta Takimi, diretora-presidente da Corsan
Artigo de Opinião – GZH – 22/03/2026


