Esgoto tratado é saúde para todos — mas a ligação da casa faz a diferença

Ter esgoto tratado significa mais saúde, menos mau cheiro nas ruas, menos risco de doenças e mais valorização do bairro. Quando o esgoto é recolhido e levado para tratamento, ele deixa de correr a céu aberto, não contamina rios e arroios e reduz a presença de ratos e insetos. As crianças adoecem menos, faltam menos à escola e a qualidade de vida melhora para todos.

Por outro lado, quando o esgoto não é tratado, a realidade é bem diferente: valas com água escura passam perto das casas, o mau cheiro faz parte da rotina, a chuva espalha sujeira pelas ruas e aumentam os casos de doenças transmitidas pela água contaminada. É um problema que atinge principalmente as comunidades mais vulneráveis.

Para mudar esse cenário, a Corsan – empresa responsável pelo serviço, afirma que vem ampliando os investimentos na expansão da rede. Mas há um ponto fundamental: não basta a rede passar na rua. Para que o sistema funcione de verdade, cada morador precisa ligar sua casa ao cano instalado na frente do imóvel.

Funciona assim: a empresa leva a rede de esgoto até a rua e disponibiliza o ponto de conexão. Já a ligação da casa até esse ponto — a chamada ligação interna — é responsabilidade do proprietário. A lei federal determina que, quando a rede está disponível, o imóvel deve ser conectado.

Na prática, muitas ligações ainda não são realizadas. Entre os principais motivos estão a falta de recursos para fazer a obra interna, dúvidas sobre como proceder, receio de quebrar pisos ou calçadas e até desinformação sobre os benefícios da conexão.

Segundo a Corsan, apenas exigir o cumprimento da regra não resolve. É necessário orientar, explicar e dialogar com a população. Por isso, afirma investir em ações educativas nas escolas, conversas com lideranças comunitárias e parcerias com prefeituras, Ministério Público e órgãos de vigilância sanitária. Também há, em alguns casos, programas de apoio para famílias que têm dificuldade financeira para realizar a ligação.

A empresa informa que, atualmente, 28% dos domicílios atendidos estão conectados à rede de esgoto. Em 2023, quando a Corsan foi privatizada e passou a ser controlada pela Aegea, esse índice era de 20%. A Corsan atende mais de 6,5 milhões de pessoas em 317 municípios e afirma ter ampliado significativamente o volume de investimentos desde então, com a meta de acelerar a expansão do saneamento nos próximos anos.

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